Pequi o nosso “ouro” do sertão!
Dissertar sobre o Pequi seria mais do que um desafio de descrever botanicamente sobre seus dotes, sobre sua importância como vegetal, como fruto ou semente (afinal há essa dúvida na nossa cabeça de leigo no assunto). Seria mais que apenas falar da sua enorme relevância no conjunto da flora do cerrado brasileiro. Certamente seria como que tivéssemos a responsabilidade de descer na cisterna de nosso inconsciente e buscar algo que se perdeu, ou que está se perdendo, mas que incrivelmente ao mesmo instante não perde sua força, sabendo que mesmo na sua ausência ainda existe uma forte presença.
E a presença do Pequi na nossa vida é de fato marcante. Mesmo que venhamos a apenas destacar no seu lado folclórico, sua importância na nossa gastronomia, como sabor exótico, sua versatilidade em se fazer combinações e seu poder afrodisíaco. Seria também mais importante que saber dos seus preciosos valores nutritivos, para os quais tanto se dissertou como a “carne dos pobres” do sertão. Seria também mais importante até que reforçar o incansável discurso ecológico e preservacionista ao denunciar a ameaça do desmatamento que o coloca no rol dos espécimes com risco de extinção.
Talvez sua maior importância seja a de um orgulho em que nós, nativos, desse sertão, somos acometidos ao descobrir que esse vegetal, de certa forma, nos une. Até mesmo quando escutamos desencontrados discursos críticos em torno dessa preciosidade sertaneja. Quem nunca teve a sensação de, ao dividir um elogio ao Pequi como se fosse um passaporte, uma senha de identificação regional, se sentir realmente em casa? “Se ele ou ela gostam de Pequi, então são um dos nossos…”
Afinal, sempre houve essa relação com o fruto-caroço-semente de “amá-lo” ou de “odiá-lo”. Seja pelo seu aroma peculiar, seja pela dificuldade em degustá-lo. O fenômeno se completa quando fazemos um certo mea-culpa acalentados por uma manta de esperança de que mesmo aqueles que “ainda” não o apreciam, um dia descobriram essa chave do paraíso, esse selo de qualificação, essa prova de amor inconsciente às nossas raízes.
Esse lado temperamental da relação com o Pequi faz parte do grande conjunto filosófico contido nas entrelinhas naturalistas e ultra-humanas do homem do sertão. Ele é polêmico, rançoso, deliciosamente sedutor. Numa feira nunca passará despercebido. O fato de ter o cuidado necessário para não se ferir ao saborear-lhe uma dentada é quase uma metáfora da natureza. Ela exige cautela em tudo, carinho em tudo. Ela, por não dar saltos, não nos deixa perder o melhor e tão pouco irmos além dos seus limites. São as regras do amor duradouro que também não abre mão dos espinhos. Sempre há uma castanha poderosa, poderosamente protegida por ela, a natureza.
E, falando em metáfora, a primeira que me veio à cabeça foi a do Pequi como o nosso “ouro” do sertão. Nossa riqueza, muito menos pelo seu lado “vil”, mas, sobretudo pelo que ele mobiliza em torno de si como patrimônio, como bem, como preciosidade, como sonho de poder conceitual. Se o metal traz em si a mística que os homens atribuíam ao vil-metal amarelo e sua reluzência, reproduzindo nele um conceito de preciosidade, valor econômico e certamente um símbolo de poder e excelência, por que não fazermos o mesmo com o pequi, mas agora de outra forma… ?
Que seja a forma inversa, a de anti-poder, de ter em si um poder, mas justamente pela sua fragilidade, generosidade e simplicidade, mas de presença tão marcante em nossas vidas… Se Guimarães Rosa fez isso em sua obra, se ele reproduziu conceitos triviais de elementos da nossa natureza como ícones de nosso imaginário, com replicações inconscientes muito maiores que os de visão curta poderiam alcançar, por que não fazer o mesmo?
Portanto, que este magazine que se lança hoje como publicação de forma homônima seja agraciado com os conceitos mais preciosos que conseguirmos tirar dessa nossa nova reflexão sobre o precioso Pequi. Que ele possa servir de senha, de ponte, de referência a esta e às futuras gerações sobre o que podemos lembrar, divulgar e defender com delicioso bom gosto, (sempre com gosto e aroma exótico, mas sempre forte). E que venha a nutrir nossa alma e potencializar a energia de nossos sentimentos muito além dos conceitos banais e desavisados daqueles que ainda não o souberam degustar.
Minha previsão é que ela, a revista, como a fruta, vai ser tão resistente às críticas e ao poder devastador do mercado e durar ainda centenas de milhares de anos.
Vivam “a” e “o” Pequi!
Carlos Ribas,
psicanalista, produtor e diretor de televisão.
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19 Comentários Publicados
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Larissa Almeida — 09/10/2008 @ 09:54 am
Parabéns pela revista. Ficou Show!
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valdemir monteiro — 20/11/2008 @ 17:46 pm
como devo fazer para produzir muda de pequi.
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Eduardo Cattabriga — 15/12/2008 @ 18:38 pm
Como
Fazer a Muda do Pequi?
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carol — 19/12/2008 @ 11:18 am
Oi Eduardo ai estão as dicas para o plantio do Pequi:
Plantando: Recomendo que seja plantada a pleno sol num espaçamento 6 x6 m para o Pequi.Melhor época de plantio é novembro a janeiro, convém irrigar 10 l de água após o plantio e a cada 30 dias se não chover.
Cultivando: A planta não necessita de cuidados especiais, apenas as covas devem ser largas e profundas, pois a planta tem raiz superficial e fasciculada. Fazer podas de formação. Adubar com composto orgânico, pode ser (6 litros) cama de frango + 50 gr de N-P-K 10-10-10 dobrando essa quantia a cada ano até o 4ª ano. Distribuir os nutrientes à 5 cm de profundidade, em círculos distanciados à 20 cm do tronco.
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josé — 04/01/2009 @ 15:10 pm
como plantar pequi ?
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elidia — 05/01/2009 @ 21:17 pm
como adquirir um folheto sobre plantiu de pequi e como fazer mudas
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Luiz Benedito do \Nascimento — 10/01/2009 @ 14:07 pm
Gostaria de saber como faz muda de peque.
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jose egmar — 16/01/2009 @ 11:22 am
ola gostei desa ideia de inovasao moro em sao paulo mas curvelo vivi dentro do meu coraçao amo vc
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Jose Arinaldo — 16/01/2009 @ 14:20 pm
Como faço para produzir mudas de pequi ?
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alexandre barbosa serrano — 23/01/2009 @ 16:03 pm
gostaria de saber qual a maneira mais facil de retirar a semente do pequi e o melhor metodo de fazer a muda do pequi desde ja agradeço a atenção.
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lucivan rocha — 29/01/2009 @ 09:56 am
Como eu faço pra fazer as muda do pequi?
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lucivan rocha — 29/01/2009 @ 09:57 am
gostaria de saber qual a maneira mais facil de retirar a semente do pequi e o melhor metodo de fazer a muda do pequi desde ja agradeço a atenção.
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Chagas Rocha — 01/02/2009 @ 22:15 pm
como eu faço para fazer mudas de piqui.
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josimeire — 15/02/2009 @ 21:09 pm
quero aprender fazer muda de piqui
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helvecio de sa — 16/02/2009 @ 11:13 am
gostaria de saber como fazer a fruta do pequi germinar; e apos germinada como devo planta-la.
helvecio
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Flaviano — 17/03/2009 @ 20:44 pm
gostaria de obter informações sobre a reprodução do pequi. Tais como período de germinação, local apropriado e coleta adequada do fruto.
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Priscila Colombo — 23/03/2009 @ 18:16 pm
Boa tarde,
Trabalho com assentados e alguns deles tem demosntrado o interesse me produzir o pequi, gostari de saber informações tais como quebra de dormência, transplante, tamanho de cova espaçamento e qualquer outra informação que possa ser útil para esses produtores.
Obrigada desde já
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marcia adriana de souza — 23/03/2009 @ 23:13 pm
Sou carioca e amo pequi,gostaria de saber como conseguir mudas e como plantar em minha casa, desde já muito obrigado.
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herbert — 08/04/2009 @ 12:41 pm
Como produzir mudas de pequi partindo dessas sementes que se comprar em feras livre. Qual o tempo de germinação e adubação necessária
